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Micotoxinas em grãos - uma apresentação dos riscos e soluções

15. set, 2022
Essa breve leitura resume por que as micotoxinas sempre foram uma ameaça à produção agrícola e à saúde, e discute as opções para mitigar o risco.

O motivo de os fungos produzirem micotoxinas é um tópico interessante por si só, mas independentemente do motivo de sua produção, a presença de micotoxinas nos grãos representa um risco à segurança dos alimentos e das rações.

 

Vigilância é, portanto, a palavra que vem à mente ao considerar o risco das micotoxinas para a cadeia de suprimento de grãos. São necessários regimes de teste, sendo que protocolos para o gerenciamento de grãos contaminados devem ser rigorosamente seguidos para evitar os riscos à saúde bem conhecidos e associados às micotoxinas.  

 

Quando os protocolos falham
A preocupação é que é preciso apenas um ligeiro desvio desses protocolos confiáveis para que ocorram problemas significativos e que afetam a saúde. 

 

Na África, as aflatoxinas encontradas no milho e nas castanhas são consideradas a principal causa do câncer de fígado, respondendo por até 40% dos casos. Uma das principais causas é que a escassez de alimentos leva os agricultores a colher o milho cedo demais, com o grão imaturo sendo mais suscetível à infecção fúngica. Outras razões são que o milho contaminado não é gerenciado de acordo com as boas práticas agrícolas (GAP) e passa por uma secagem incorreta. 

 

Tudo o que é preciso são alguns pontos fracos na cadeia de suprimentos para permitir que ocorra um risco à segurança dos alimentos.

 

As micotoxinas são um problema assim tão grande?
A resposta mais curta é sim - as micotoxinas são um problema persistente que muda ano a ano e isso depende muito do clima e da prática agrícola e de fabricação. Além disso, uma vez presentes, as micotoxinas não podem ser removidas da cadeia de suprimentos. 

 

Há muitos estudos que tentaram calcular o tamanho da contaminação por micotoxinas na cadeia de suprimentos global de culturas alimentares. Um relatório muitas vezes citado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) afirma que até 25% da safra global de alimentos estava contaminada com micotoxinas. No entanto, a origem dos dados usados para fazer esta declaração é amplamente desconhecida.

 

Em um artigo recente, publicado pelo periódico científico Critical Reviews in Food Science and Nutrition, os autores discutiram a validade desta declaração. Eles descobriram que a ocorrência atual de micotoxinas, ou seja, as amostras com um nível de micotoxinas acima dos limites da UE, confirmou a estimativa inicial de 25% de contaminação por FAO. Observando dados da BIOMIN(R), os autores concluem que níveis detectáveis de micotoxinas podem ser encontrados em até 60-80% das amostras (Eskola, M., Kos, G., Elliott, C.T., Hajslova, J., Mayar, S. and Krska, R. 2020 Worldwide contamination of food-crops with mycotoxins: Validity of the widely cited FAO estimate of 25%.  Critical Reviews in Food and Science and Nutrition 60:2773-2789).

 

Ou seja, as micotoxinas são consideradas principalmente um risco em qualquer tipo de cultura, e pontos de controle relevantes devem estar em vigor para garantir a segurança dos alimentos e das rações.


Estratégias para o gerenciamento de riscos
Em termos de gerenciamento de riscos, existem várias áreas em que as micotoxinas podem ser controladas dentro da cadeia de suprimentos. 

Em última análise, a prevenção ao crescimento de fungos é a melhor estratégia, sendo que estudos mostraram que boas práticas agrícolas e agentes de controle biológicos podem ser usados para limitar o crescimento dos fungos responsáveis pelas micotoxinas. Uma alternativa a longo prazo é criar variedades de cereais que sejam mais resistentes à contaminação por fungos. Além disso, os sistemas de rotação de culturas, conforme definido no Codex Alimentarius: ‘Code of Practice for the Prevention and Reduction of Mycotoxin Contamination in Cereals,’ podem reduzir a chance de contaminação, evitando o plantio da mesma cultura no mesmo campo, por duas estações consecutivas. Isso pode ajudar a reduzir o inóculo no campo, que pode se originar de detritos pós-colheita que contêm os esporos fúngicos.

O uso de fungicidas direcionados é uma intervenção óbvia que pode reduzir o risco das micotoxinas. No entanto, a crescente conscientização dos consumidores e a intolerância ao uso de agentes químicos na produção de grãos poderia limitar a eficácia dessa medida de controle, além de poder causar uma reação negativa dos consumidores e da mídia.

 

Ao considerar as culturas para rações animais na situação da cadeia de suprimentos, há absorventes que podem ser usados para remover as micotoxinas, bem como as tecnologias de destoxificação, como enzimas, que podem digerir as micotoxinas em subprodutos inofensivos.

 

Gerenciamento proativo do problema das micotoxinas

Claramente, um maior envolvimento com essas etapas proativas (GAP) para evitar ou remover o risco da segurança alimentar dos grãos desempenha um papel importante na redução da ameaça. No entanto, a ferramenta mais forte que temos atualmente à nossa disposição para gerenciar o risco das micotoxinas é o teste sistemático e a rejeição de grãos contaminados.

 

As metodologias dos testes melhoraram significativamente ao longo dos anos. A velocidade com que a análise das micotoxinas pode ser realizada, combinada com a sensibilidade dela, melhorou muito nossa capacidade de identificar os problemas e removê-los da cadeia de suprimentos. 

 

No entanto, com a potencial intensificação do problema das mudanças climáticas e a mudança da ocorrência da contaminação por micotoxinas, todas as partes interessadas na cadeia de suprimentos terão que ficar mais vigilantes do que nunca. 

 

Em conclusão, teremos que usar todas as ferramentas à nossa disposição para garantir a segurança alimentar em toda a cadeia de suprimentos de grãos.

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